CPI da Energia

CPI da Enersul pede quebra de sigilo bancário do Grupo Rede - Correio do Estado

Investigação
CPI da Enersul pede quebra de sigilo bancário do Grupo Rede
 
A CPI da Enersul deu início a ofensiva para desvendar a destinação dos supostos desvios de R$ 700 milhões dos cofres da empresa. Ofício encaminhado ao Banco Central pede a quebra do sigilo bancário do Grupo Rede, que controlava a concessionária antes da aquisição pelo Grupo Energisa. 

As operações do Grupo Rede serão ponto de partida da investigação do prejuízo milionário, que inclui, ainda, a possível existência de mensalão pago a pessoas físicas e jurídicas. Por isso, além da quebra de sigilo, o relator da comissão, deputado Beto Pereira (PDT), apresentou requerimentos solicitando documentos à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal, todos relacionados ao Rede. 

O deputado levou em conta indícios de que, em sucessivas operações, R$ 185,3 milhões foram retirados de contas da Enersul nos bancos Daycoval e BIC Banco, e transferidos para a conta do Grupo Rede sem autorização prévia dos diretores da concessionária sul-mato-grossense. E a destinação desse dinheiro é desconhecida.

Com o pedido de quebra de sigilo, os deputados da comissão terão acesso a todos os saques desta conta entre 2010 e 2014, especificando, ainda, os responsáveis e os beneficiados nas operações. 

Uma destas retiradas motivou a Enersul a acionar o Grupo Rede na Justiça, pedindo a devolução de R$ 62,2 milhões à empresa. O processo é sigiloso e, por este motivo, a 9ª Vara Cível de Campo Grande também foi oficiada para repassar cópia integral da ação à CPI. 

NA MIRA
Somente na primeira reunião do colegiado, 30 requerimentos solicitando documentações foram aprovados.  
Os deputados querem saber, por exemplo, se está em curso na Polícia Federal investigação sobre os diretores do Grupo Rede, ?especialmente Jorge Queiroz?, diz um dos ofícios. 

O mesmo pedido foi apresentado ao Ministério Público Fe deral e CVM (Comissão de Valores Mobiliários).  O processo de intervenção na Enersul e, posteriormente, a aquisição da empresa pelo Grupo Energisa também serão alvos da apuração dos deputados, que pedirão mais detalhes à Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). 

Outro caminho é ter acesso ao relatório da CPI realizada na Assembleia Legislativa do Tocantins, estado cuja concessionária de energia, a Celtins, também era controlada pelo Grupo Rede. 

Destes 30 requerimentos aprovados na primeira reunião da comissão, 15 foram protocolados ontem (16) e, a partir desta data, os órgãos oficiados têm 15 dias para encaminhar os documentos à CPI. 

"Depois de ter acesso a esta documentação, vamos começar a analisá-la e podemos convocar os envolvidos a prestar depoimentos ou solicitar diligências", explica Beto Pereira. 

A CPI da Enersul foi proposta pelo deputado Marquinhos Trad (PMDB) para apurar o suposto desvio de R$ 700 milhões por parte da Enersul e ainda a possível existência de uma folha confidencial, contendo 35 nomes de pessoas físicas e jurídicas que recebiam da empresa pagamentos mensais, configurando uma espécie de "mensalão", entre os anos de 2010 a 2015. 


Enviado por Gizele de Oliveira e publicado em 17/04/2015 00:00



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